Escrever: Dom ou prática?

Uma carta de apresentação sobre mim e como fui parar no mundo da escrita.

ESCRITA E CONTEÚDO

Ketlen Machado

6/10/20243 min ler

Escrever sempre foi um hobby pra mim. Uma forma de expressão. Com 11 anos, quando começaram a aparecer novos sentimentos e frustrações, eu comecei a escrever poemas. Fascinada por sonetos e rimas, busquei no papel e caneta um refúgio, uma forma solitária de externalizar o que estava dentro de mim.

Foi por aprender a colocar as ideias, sentimentos e reflexões no papel, que eu acabei decidindo estudar jornalismo. Porém, durante o meu TCC, abandonei o grupo no qual eu estava, por entender que o tema não tinha absolutamente nada a ver comigo e com minhas aspirações. Conversei com minha professora de Jornalismo Literário, que topou me orientar, e comecei um novo TCC na metade do semestre. Lembro de quantas madrugadas eu varei escrevendo aquele livro-reportagem. Tive apoio e ajuda, o que foi muito importante pra mim e sempre me lembrarei disso. Não tive muito tempo para revisões e edições, então o livro não ficou tão bom quanto poderia. No princípio, isso me frustrou. Logo depois, ergui a cabeça e disse em alto e bom tom para mim mesma: eu consegui. Foi ali que uma faísca se acendeu e eu percebi que era capaz.

Aquilo expandiu a minha visão, me deu uma confiança que até então eu não tinha. Foi aí que eu decidi iniciar a pós-graduação em Jornalismo Literário, liderada pelo professor Edvaldo Pereira Lima, um dos precursores da modalidade no país. Que mestre. O curso, da extinta Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL) foi o primeiro do Brasil. Me sinto completamente honrada e privilegiada por ter feito parte disso. Mais do que um curso, foi a mais longa imersão de desenvolvimento pessoal a qual já participei.

Mudanças

A história é longa, mas a questão é que eu encontrei algo que eu amava fazer. Eu estudei e desenvolvi essa habilidade. Mas a vida deu uma reviravolta. O mercado de marketing digital estava bombando, as mídias sociais eram o novo boom. Pouco depois que concluí a pós-graduação, eu segui o fluxo do mercado. Fiz carreira em uma multinacional, trabalhei em startups, empresas de tecnologia, sempre em departamentos de comunicação e marketing. Até que veio a pandemia e rapidamente tudo desmoronou. Perdi o emprego e já não tinha o desejo de seguir o mesmo caminho.

Passei a me reconstruir, de diferentes formas. Me redescobri, me reinventei. Sem querer e sem perceber, comecei a empreender. O que até então era um sonho engavetado, de repente fluiu e aconteceu. Em uma área que eu jamais pensei que atuaria: no mercado de vinhos. Tudo deu certo e tenho orgulho de ter construído, junto com minha incrível sócia, uma empresa tão linda, a qual amamos.

Ué! Mas, em meio a tudo isso, onde foi parar a minha caneta? E a arte de escrever?

Se perdeu. É claro que normalmente eu escrevi em todos os meus trabalhos, foi assim que evoluí ao longo dos anos. É algo que eu estudei, me especializei e nunca parei de praticar. Sempre fiz bem, mas nunca me reconheci assim. Isso é novo pra mim. Olhar no espelho e afirmar com convicção que eu sou boa nisso é algo que já estava dentro de mim, mas até então, eu não assumia e não tinha coragem de verbalizar. Faltava autoconfiança, amor-próprio, faltava acreditar mais em mim.

Autoconhecimento

Na pandemia, antes que percebesse, voltei a escrever muito, praticamente todo santo dia (sempre somente pra mim: em cadernos, blocos de notas, docs no computador, sempre algo particular e nunca público). Eu escrevi textos, artigos, poemas… Músicas. Passei a compor, foi algo natural, orgânico, mágico. Agora estou estudando essas outras vertentes e me aprimorando.

Logo depois, tive uma epifania, um processo rápido e doido, no qual a Vi me apoiou e me ajudou, de assumir essa verdade: Sim, eu escrevo bem! Sou uma ótima escritora, eu faço isso muito bem. Foi a primeira vez que disse isso em voz alta. E caramba, quão libertador isso foi! Ainda é.

E eu entendi o motivo de ser boa nisso: eu faço com paixão. Tirando alguns freelas mais recentes, eu nunca tinha escrito por dinheiro. Sempre foi por amor, por hobby, por paixão. Pra me expressar. A arte pela arte. É aí que reside a mágica da escrita pra mim, é nesse lugar.

Só então recentemente que decidi colocar a escrita como trabalho primário e não mais algo que apenas “vinha junto” nas minhas funções de analista ou coordenadora em departamentos de comunicação e marketing.

Eureka! Essa é minha atividade principal agora: Escrever. Depois de mais de 20 anos de prática e lapidação, eu descobri que essa é a minha verdadeira essência e função. Este é meu lugar de servir. Pode me chamar, pode me contratar. Muito prazer, Ketlen da redação.

Ketlen Machado ©