Cura, expressão e autoconhecimento: Um mergulho na escrita terapêutica
Já ouviu falar do poder transformador da escrita terapêutica? Não se trata apenas de um método de escrita, mas sim de uma jornada de autoconhecimento e expressão sem regras rígidas. Explore pensamentos e sentimentos de forma livre e profunda.
ESCRITA E CONTEÚDO
Ketlen Machado
7/16/20243 min ler
O poder da caneta é algo transformador. Você conhece a escrita terapêutica? Talvez você não saiba, mas grandes livros já foram escritos através desta poderosa ferramenta, como: “O Diário de Anne Frank”, no qual Anne usou seu diário para lidar com a solidão e o medo durante a Segunda Guerra Mundial. O livro já foi traduzido em 70 línguas e já vendeu mais de 30 milhões de cópias.
Ao contrário de outros métodos de escrita, como a técnica ou criativa, seu foco não está em estilo literário ou regras gramaticais, mas sim na liberdade de explorar pensamentos e sentimentos. Para quem trabalha na área, pode ser difícil em um primeiro momento tentar se desprender das formatações, mas nada que alguns dias de prática não possam aflorar o lado fluido, leve e libertador da sua escrita.
Benefícios da escrita terapêutica
Antes de pensar em escrever um livro com esta técnica, mergulhe nela como ferramenta de autoconhecimento. Você com você: Este é um momento só seu, você não precisa compartilhar com ninguém os seus textos. Praticar é uma experiência de descoberta e expressão. Nossa mente possui uma incrível capacidade de contemplar diversos assuntos ao mesmo tempo, mas é ao colocá-los no papel que adquirem forma e estrutura.
Também conhecida como curativa, o processo de escrita terapêutica é inclusive recomendado na psicologia como recurso de autoconhecimento e de transformação pessoal. Auxiliando até mesmo no processamento de traumas e na melhoria do bem-estar emocional.
Este método também foi amplamente utilizado pelo escritor, jornalista e educador Edvaldo Pereira Lima para instruir seus alunos no curso pioneiro de pós-graduação em Jornalismo Literário, o único no país, oferecido pela ABJL — Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Entidade fundada em 2005 que teve um papel significativo na educação jornalística, mas foi extinta em 2013.
Além de uma transformadora ferramenta de desenvolvimento pessoal, o aperfeiçoamento da técnica também se torna eficiente para a produção de todo e qualquer tipo de texto, como artigos, autobiografia, trabalhos acadêmicos, reportagens, narrativas de viagens, ensaios ou poesias. Que tal experimentar?
Passo a passo para começar a prática da escrita terapêutica
Tente acordar mais cedo — o quanto você puder, seja 20 minutos ou uma hora. O período da manhã é mágico para a escrita, pois nossa mente está mais “vazia” e assim há mais espaço para a criatividade fluir.
Se puder, pratique com papel e caneta (ao menos nos primeiros dias de prática). Tente ficar longe do celular para evitar distrações.
Crie um ambiente acolhedor: escolha um lugar calmo e aconchegante.
Escreva de forma livre! Nesta prática, o foco está em se expressar, não se apegue à gramática ou formatação em um primeiro momento. Deixe fluir.
Lembre-se: este momento é só seu, priorize-se.
Não se limite a essas dicas. Se não puder praticar de manhã, encontre outro horário na sua agenda. Adapte sua rotina da forma que funcione para você.
Se você nunca tentou, por que não começar hoje? Recomendado tanto a profissionais da escrita quanto a pessoas que queiram simplesmente escrever melhor, você não precisa de muito para iniciar essa jornada. Pegue um caderno e uma caneta, e deixe sua mente livre. Uma dica para te ajudar a explorar a escrita terapêutica é: leia o livro prático “O Caminho do Artista" (The Artist's Way) de Julia Cameron. A obra oferece exercícios diários e semanais incríveis para ajudar a desbloquear a criatividade e já ajudou milhares de pessoas através dessa ferramenta, inclusive eu. Que tal experimentar? Quem sabe você também descobre algo mágico dentro de você neste processo.
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